Agora que a poeira já assentou e as unidades de potência já arrefeceram já me apraz fazer a minha pré-análise ao actual estado da Formula 1.
De um modo geral, as equipas tentaram optimizar a passagem dos fluxos de ar, tal como tem vindo a ser feito desde 2009, altura em que os motores deixaram de ser parte preponderante na maior e mais importante prova do desporto automóvel. Para fazer isso tiveram de respeitar as regras novas que a FIA escreveu num bocado de guardanapo enquanto pedia mais um Daiquiri, à beira da piscina, numa estância em Cancun. Como se sabe, álcool e decisões importantes não se misturam lá muito bem e o resultado está à vista. Os novos “bicos” fazem lembrar tempos em que o bom gosto, o estudo do design, e as capacidades técnicas dos engenheiros, eram muito reduzidas e desprezadas na Formula 1 (a bem dizer, naquela altura, os carros podiam ser feios mas tinham uns motores à maneira). A principal desculpa para o estado dos bicos prende-se na segurança – bicos mais baixos dificultam os take-offs que acontecem sempre que um carro bate noutro por trás.
O que é certo é: os carros são feios. Muito feios!
No aspecto técnico da coisa, temos visto que a Mercedes sai na frente, com todas as escuderias equipadas com os motores alemães a conseguir percorrer muitos km (preciosos) nos primeiros testes da época, realizados em Jerez no final de Janeiro. A equipa Mercedes conseguiu também fazer o carro menos feio do pelotão. Dupla vitória.
Já a Red Bull, disfarçou o nariz com uma tinta preta mas isso não salvou os 4 dias de testes. Com as equipas a terem de enfiar tanta coisa por baixo dos autocolantes brilhantes, o calor da unidade de potência da Renault está a ter alguns problemas em sair. Parece o ketchup da Heinz quando está muito tempo no frigorífico. Como Adrian Newey não é o melhor engenheiro da F1 à toa, resolveu o problema num ápice como se pode ver na foto. Ser engenheiro não é só fazer coisas bonitas, é resolver problemas com o que há à mão. O que é certo é que a Renault está com problemas em fazer o carro andar, e a prova disso são as 21 voltas dadas em Jerez. Manifestamente pouco para quem tem o melhor Engenheiro da F1 e é a actual campeã de marcas.
A minha análise final e prognósticos para a temporada que se avizinha, será concluída após os testes do Bahrain (a realizar de 19 a 22 de Fevereiro e de 27 de Fevereiro a 2 de Março). Com calor em condições, carros mais afinados e eventuais problemas da Renault resolvidos deve dar para perceber as reais aspirações de cada equipa.


