Fora todos os problemas inerentes a uma sociedade e cultura diferentes há que conseguir lidar com os problemas típicos que, certamente, todas as empresas têm. O problema é que não é fácil lidar com mau funcionamento quando nem sequer somos bem introduzidos aos métodos de trabalho da empresa. Estou em Angola há dois meses e a minha adaptação a esta empresa está a ser tudo menos fácil. Ao país já estou eu habituado e já sou capaz de me desenrascar sozinho nas ruas caóticas de Luanda.
Enquanto trabalhador estava habituado, quando ingressava numa empresa nova, a ser bem recebido e a ter o mínimo de formação inicial para poder desenvolver o meu trabalho segundo os parâmetros de excelência da empresa. Aqui, aconteceu tudo menos isso. Ao fim de dois meses ainda estou a descobrir, sozinho porque ninguém explica nada e nem sequer me faz um resumo de como funcionam as coisas aqui, que cada projecto tem um número diferente (faz sentido, mas só ontem é que me vieram perguntar qual era o número do projecto que estou a supervisionar – como se eu soubesse que era preciso, quando nem sequer me ensinaram como era feita a atribuição de números), continuo a aguardar que me seja atribuído um lugar no escritório, um computador para trabalhar e um e-mail (trabalhar em casa no meu computador e usando e-mail pessoal é tão século XX).
Andar a supervisionar seja o que for, ter o cliente sempre a perna a chatear que as coisas não estão de acordo com o planeado, saber disso e não poder fazer nada porque não sabemos o que foi combinado e a direcção não responde aos pedidos de apoio/ajuda/orientação, é frustrante e psicologicamente desgastante.
O que vale é que falta menos de um mês para ir de férias.
