Apesar do transito caótico, das pessoas se mexerem devagar, de tudo poder esperar para daqui a bocado, o que é certo é que a vida em Angola é feita a um falso ritmo lento que cansa. Acordar todos os dias às 6 da manhã, enfrentar horas de transito a caminho do estaleiro, ver o trabalho a não surgir porque a malta pura e simplesmente não se mexe – e não adianta espernear, ralhar ou bater (se bem que esta última até era capaz de resultar), porque as coisas são feitas à velocidade a que têm de ser feitas – voltar a enfrentar o transito no regresso a casa, agora muito mais caótico, e entrar à porta às 18h é duro e sai do corpinho. E o dia de trabalho muitas vezes não termina às 18h porque é preciso preparar coisas para o dia seguinte…
Como ainda não tive o privilégio de ser brindado com um computador, um carro, ou qualquer outra coisa que me dá um jeito enorme para trabalhar, tenho de recorrer à boa vontade das pessoas que conheci em Angola para conseguir sair de casa aos fins de semana (claro que se tivesse carro a minha vida ficava facilitada a 100%).
É por todos esses motivos que os fins de semana, mais do que servirem para descansar, servem para reunir com amigos e deixar que as coisas boas de Angola nos façam esquecer as más.

Geralmente uma ida até à praia, um jantar e um copo em boa companhia restabelecem forças para enfrentar a semana seguinte. O problema é que a energia reunida no fim de semana, normalmente, à quarta-feira já foi toda utilizada e volta-se a sentir o peso do mundo nos ombros.
Trocava bem a ordem das coisas, aqui em Angola. Bastava que a malta trabalhasse à velocidade dos Europeus/Americanos/Japoneses e podíamos ter 5 dias de folga para 2 dias de trabalho. Com sorte ainda se produzia mais do que se produz agora, em que se trabalham 9h por dia, alguns, 6 dias por semana.

Ah! E se se estão a questionar em relação à praia. Sim, é aqui. É linda, a água é menos fria que em qualquer ponto de Portugal mas longe de ser quente como a água do Mar Mediterraneo, tem pouca gente, muito espaço, muitos bichos e é longe da capital (mais de 100km). Tem tudo para, nos próximos anos, estar cheia de obras e interdita porque os resorts de luxo já começam a mostrar as garras e a vedar terreno.
